Os grupos populares da filmografia brasileira e cadê Brasília que construímos?

Texto: NUNES, José Walter. Os grupos populares da filmografia brasileira.

O objeto de estudo do pesquisador é a história de Brasília narrada por produções filmográficas e seu objetivo é apresentar esta história a partir de produções filmográficas e videográficas em articulação com outras fontes. Para tanto, utilizou-se da seguinte metodologia: avaliação de produções filmográficas e documentários oficiais ( produzidas por instituições governamentais, basicamente representadas pela NOVACAP) e não oficiais, com seleção daqueles que melhor poderiam responder as perguntas sobre a formação “auteridade” das pessoas e grupos comuns. Após o exame e reexame dos documentários, procurou-se o ponto comum dos mesmo em relação aos vários aspectos da filmagem ( enquadramento, ângulo, etc…) do som (ambiente, estúdio, quem fala, para quem, etc …) e suas contextualização social, política sobre as pessoas comuns, onde estavam, o que faziam, o que falavam e sobre os vestigíos encontrados nos documentos que pudessem ajudar a inferir o cotidiano dessas pessoas. Após, interpretou-se pela comparação entre os documentos pelas recorrências verbais, imagéticas e musicais. 
Filme: NUNES, José Walter. Cadê Brasília que construímos?
   O objeto de estudos dos autores é o depoimento de pioneiros da construção de Brasília cujo objetivo é recontar a História de Brasília por uma perspectiva diferente da oficial e daquela tradicionalmente popularizada. Para alcançar tal objetivo, os autores se apoiam no seguinte método: pela metodologia da História Oral para a obtenção de depoimentos, o autor busca nas reminiscências pessoais dos depoentes algumas características sobre a construção de Brasília, tais como: os meios de chegada desses pioneiros, a logística alimentar, a estrutura dos acampamentos, as construtoras trazendo muitas vezes mão-de-obra não-qualificada, o excesso de horas trabalhadas para tornar possível a conclusão do trabalho, o grande número de acidentes de trabalho, o não uso de equipamento de proteção individual, a criação de armazéns que comercializavam toda sorte de produtos nos quais podeia comprometer até 45% de seu salário, pequeno número de mulheres em Brasília, o que gerava assédio sexual naquelas que vieram. Utiliza, para ilustrar depoimentos, fotos da época da construção, assim como objetos pessoais e de decoração dos depoentes para apresentar seus modos de vida e suas origens.
       O vídeo pode ser inserido no texto enquanto uma produção não oficial. Vale lembrar que a filmografia não oficial não está preocupada com as autoridades e apresentação política (nem todas). É preocupada em mostrar o ponto de vista dos “marginalizados”, embora se deva ressaltar que nem toda produção não oficial esteja preocupada com os “marginais”; posto que elas possam apresentar a visão das autoridades.
    Vale destacar que o texto e o filme foram produzidos pelo mesmo autor. Ele utiliza o filme para suprimir as falhas apontadas em seu texto quanto a filmografia oficial.
   Sem dúvida e existência de fontes que apresentem modos diferentes de visão de um determinado fato histórico são muito importantes para uma melhor compreensão daquele momento histórico. Além disto, a preocupação com as novas linhas de pesquisa histórica, como por exemplo, história oral, história vista de baixo, micro-história, história do cotidiano, etc … é bastante válida no sentido de resgatar dados que são esquecidos pela historiografia oficial.
   Desta maneira, o autor está sendo coerente em suas ideias defendidas no texto e assim permitindo uma nova visão desse período histórico de grande importância. Além disto, ao se registrar esses depoimentos, evitou-se que, ao morrer os depoentes todas as suas reminiscências pessoais fossem perdidas na sombra do esquecimento e a partir de então ter-se uma fonte eterna de pesquisas.
   Com a aceitação destas novas fontes de pesquisas permite-se ao historiador ampliar seu campo de visão, utilizar-se de mais recursos para o exercício de sua imaginação para o entendimento e a interpretação da história e ainda a cada nova fonte, apresentar uma nova compreensão caracterizando assim a história como movimento sujeita a alterações de acordo com as referência encontradas, e não algo imutável, em que acontecimentos já foram sacramentados por documentos oficiais e “insuspeitos” dignos da máxima  respeitabilidade.
   Com a ampliação do campo visual do historiador e, por conseguinte da história, a partir das novas fontes, pode-se obter um grande acréscimo na difícil (e extremamente prazerosa) arte de tentar reconstruir a vida, os habitos, psicológico, enfim, a cultura e a história daqueles que de uma forma ou outra participaram da construção e desconstrução do nosso mundo atual. Omiti-los ou deixa-los cair no esquecimento é o mesmo que falarmos aos vindouros: – esqueçam-nos, nós simplesmente existimos e nada do que fizemos terá importância no futuro.
Por Anderson Reinaldi e Eliphas Bruno 
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s