Independência do Brasil: parte IV


Jurandir Malerba apresenta a partir da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil um contexto de lisonjeios por parte dos súditos e reconhecimento Real. Para exemplificar a teoria Malerba descreve que:
As procissões, os cortejos e entradas triunfais concorriam para tais ordenamentos. Nessas ocasiões era comum assistir-se a exaltadas demonstrações de vassalagem e amor ao rei, de que não se pode medir o quanto de verdadeiro sentimento e o quanto de adulação. Mas, por meio delas, é possível saber como eram os sinais materiais com que os súditos se dirigiam ao soberano, e identificar esses súditos.

No período em que esteve no Brasil D. João VI estabeleceu sua política de conciliação entre as Cortes portuguesas e a elite brasileira, sobretudo a elite fluminense. Segundo Malerba, não existia no Brasil um fator que desencadeasse o processo de independência. Contudo, com a chegada da Família Real e a corte portuguesa formou-se uma base administrativa e política sobre a elite brasileira, e se tornaria um fator determinante após a Revolução do Porto, sendo a independência um aspecto supostamente viável no pensamento elitista. Para justificar a política apaziguadora de D. João VI, Malerba destaca a pesquisa de Sérgio Buarque de Holanda e Tobias Monteiro, onde estes mostram às cifras de condecorações reais entregues a elite brasileira e a corte portuguesa. Para receberem tais privilégios, as elites eram as mantenedoras da Coroa. Cifras enormes eram doadas pela elite a Coroa, tal empreendimento sugere que o governo monárquico era aceito pelas elites e não manifestavam intenções de liberdade política perante Portugal.
Não há ainda pesquisa e argumento suficiente que autorizem uma afirmação peremptória sobre a existência de qualquer tendência emancipacionista importante acontecendo antes da chegada da corte em 1808. Assim, a hipótese de que 1808 postergara a independência não soa conveniente. Ao contrário, parece que a chegada do rei e sua corte ao Brasil deflagrou um processo irreversível de mudanças, embora durante aqueles anos nenhum ator daquela cena histórica soubesse para onde conduzia aquele processo decidido, efetivamente, nos anos derradeiros de 1821 e 1822.

A afirmação citada demonstra que, os movimentos nativistas, ora citado por outros autores acima, não fazem parte do processo político de culminou na independência do Brasil, sendo que a chegada da família real serviria de base para tal processo, mas não pelo fato da presença do Rei aqui, contudo, as medidas administrativas tomadas pelo governo real, inflamaram o processo de independência.

Por Eliphas Bruno
MALERBA, Jurandir. De homens e títulos: a lógica das interações sociais e a formação das elites no Brasil às vésperas da independência. In: A independência do Brasil… Op. Cit., p.159.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s