Independência do Brasil: parte II

“A outra Independência”

Uma primeira interpretação importante para compreender a Independência brasileira é a realizada por Jorge Miguel Pedreira que enxerga esse momento da História do Brasil, sobretudo pelo aspecto político e econômico.
Na historiografia tradicional, geralmente a autonomia do Brasil é relacionada, dentre outros aspectos, a economia inglesa que teria tido uma importância decisiva na emancipação política brasileira. Pedreira concorda que as trocas comerciais entre Inglaterra e Portugal, tendo o Brasil o papel de fornecer as matérias primas e ainda absorver parte desse mercado, foram intensas e importantes. Porém, segundo ele não cabe atribuir a esse fator o rompimento de toda uma estrutura política e econômica naquele período que desembocaria na crise do sistema colonial e consequentemente na Independência do Brasil. A crise do sistema colonial está relacionada ao próprio contexto mundial e não especificamente ao industrialismo inglês. Logo a Independência brasileira e a crise colonial foram contemporâneas, mas sem representar casualidade entre si.
Segundo Pedreira, o sistema colonial coexistiu com o avanço capitalista não sendo este um aspecto relativo ao desencadeamento da independência. Para sustentar sua tese o autor demonstra que no período da Independência existe um quadro econômico próspero para a colônia e para a metrópole. No fim do século XVIII, o setor agrário brasileiro colhia frutos no mercado interno, outro fator que desmistifica a relação desta suposta crise colonial.
Em suma, pode-se dizer que a crise do antigo sistema colonial nunca existiu. Nem no domínio econômico (mercantil), nem no domínio político-ideológico pode-se encontrar, no caso do império português, manifestações dessa crise. (…) Assim, apesar de operar em condições de grande vulnerabilidade, devido aos riscos que essa mesma situação internacional apresentava, nada indicava que o sistema colonial estivesse condenado à desintegração em futuro próximo.

No entanto, Pedreira afirma que o sistema colonial entra num período de declínio, devido à invasão napoleônica em Portugal. Como vimos anteriormente, é nesse período que D. João VI vem com as Cortes portuguesas para o Brasil dando início ao processo emancipacionista brasileiro. Porém, a contribuição de Pedreira ao estudo da Independência é a análise da participação do Congresso e das elites brasileiras na elaboração de uma constituição.
Durante a permanência de D. Pedro I após o “Dia do Fico” uma junta de deputados começaram a elaborar uma constituição no intuito de pressionar D. João VI e apressar o processo e emancipação brasileira. Pedreira afirma que os portugueses subestimaram a capacidade brasileira em se fazer independente, pois os portugueses buscavam reconstruir os prestígios e dignidade e metrópole frente ao Brasil, perdidos a partir de 1808 com a invasão napoleônica e a fuga da família real para o Brasil.

Fonte: TCC Faculdade projeção ELIPHAS BRUNO DE MEDEIROS RODRIGUES
PEDREIRA, Jorge Miguel. Economia e política na explicação da independência do Brasil. In: A independência do Brasil… Op. cit., p.75.

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